Consultor compartilha como infância em obras e incentivo de professores marcaram sua vocação.



A formação de um profissional se constrói a partir de referências. Para o consultor em geologia de engenharia Edmundo Talamini Neto, a trajetória que o leva a projetar túneis e barragens começa na infância e ganha um contorno definitivo na sala de aula. Hoje, ele se prepara para assumir o papel de mentor e transmitir seu conhecimento a novas gerações.
“Eu sou filho de engenheiro e neto de engenheiro”, afirma o consultor ao explicar suas origens. O ambiente familiar o expõe desde cedo aos canteiros de obra. Durante a infância, ele acompanha o pai, que trabalha em projetos de infraestrutura.
As viagens de férias escolares se tornam imersões em seu futuro campo de trabalho. “Todo fim de ano, quando entrava em férias, eu ia com ele para obra, sem exceção”, recorda. Os destinos são canteiros de rodovias e ferrovias no interior dos estados do Paraná e de Santa Catarina.
Dessas experiências, ele traz mais do que memórias. “Voltava com o porta-mala do carro, atrás do banco do carro, cheio de pedra”, descreve. A coleção de rochas é o primeiro indício de uma vocação que se manifesta de forma precoce.
Aos 10 anos, ainda na quinta série do ensino fundamental, ele já afirma que pretende estudar geologia, uma escolha incomum para a época. “Parecia que não era uma das mais comuns das opções”, comenta.
Durante a adolescência, há um breve desvio. O interesse por aviões o faz considerar a carreira de engenharia aeronáutica. “Tudo que é piá gosta de avião”, diz ele. A ideia, contudo, não prospera.
A vocação para a geologia se consolida no primeiro ano do ensino médio, por influência direta de um educador. “Voltei com a ideia de fazer Geologia e tinha um professor no Medianeira”, relata. A figura central é o professor de geografia Francisco Carlos Rehme, conhecido pelo apelido de Xixo.
O professor se destaca por suas metodologias. “É um cara que incentivava muito o pessoal, dava curso de geologia, de espeleologia, levava o pessoal para excursão de campo, para ter contato com a natureza”, detalha Talamini Neto.
A influência de Rehme se reflete no número de alunos que seguem para a área. “Tinha muita gente no curso de geologia da Federal que era influenciado por ele, que tinha ido para a geologia por causa desse professor”, aponta.
Apesar do fascínio pela geologia, a herança familiar o aproxima da engenharia. No final da graduação, ele direciona sua pesquisa para este campo. Sua monografia aborda a aplicação de classificação geomecânica e geologia em obras subterrâneas.
O caminho acadêmico segue com um mestrado em geotecnia na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP). No programa, ele é orientado pelo professor Tarcísio Barreto Celestino e conhece o engenheiro Luiz Guilherme de Mello, com quem compartilha o mesmo orientador.
A carreira profissional começa na empresa Themag, onde ele trabalha por seis anos e meio. Na sequência, ele atua como coordenador de projeto na EDP Brasil e, depois, passa dez anos na construtora Cesbe, da qual sua família era sócia.
É no período na Cesbe que sua trajetória se cruza com a da Pedra Branca Escavações. “A Cesbe contratou várias vezes a Pedra Branca para execução de nossos túneis”, informa. A parceria se solidifica a partir de uma relação de confiança mútua.
“Sempre com atendimento excepcional, tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista pessoal, de amizade. Uma relação saudável”, descreve o consultor. Ele ressalta a importância da humildade e de saber os limites de cada expertise na colaboração.
Há cinco anos, Talamini Neto atua como consultor autônomo. A maior parte de seu trabalho se concentra em projetos de mineração para a empresa BVP Engenharia, com foco em barragens de rejeito e pilhas de estéril. A curiosidade inicial sobre minerais evolui para o entendimento do comportamento mecânico de solos e rochas. “O que continua é a curiosidade mesmo, o espírito do pesquisador”, afirma.
Agora, ele estrutura planos para atuar também na área de educação. “Pretendo devagarinho ir ampliando um portfólio educativo”, revela. O primeiro passo fui um mini curso de geologia de barragens, que pretende expandir a duração e o aprofundamento, para formar profissionais da área.