Com atuação internacional, engenheiro lidera projetos complexos e consolida carreira na geotecnia e em obras subterrâneas.
2/3/26



Especialista em geotecnia e mecânica de rochas com mais de vinte e cinco anos de experiência, Joaquim Duarte construiu uma carreira marcada pela atuação em grandes projetos de infraestrutura em diversos países. Sua trajetória profissional abrange desde o projeto e a construção de barragens e estruturas subterrâneas até a supervisão técnica na G5 Engenharia, empresa da qual é sócio e na qual atua como diretor técnico da área civil e consultor independente na área de obras subterrâneas e geotecnia em geral.
Devido ao seu trabalho em usinas hidrelétricas e sistemas de transporte, ele se tornou uma referência em sua área, com participações em projetos muito distantes do Brasil, como ocorre atualmente na Austrália. A dimensão de sua experiência se revela em projetos como o de Alto Maipo, no Chile, que envolve setenta e dois quilômetros de túneis — uma marca que o próprio engenheiro aponta como um possível recorde mundial para um único projeto hidrelétrico.
Para Joaquim*, trabalhar com obras subterrâneas significa lidar constantemente com as incertezas da natureza. Cada projeto, segundo ele, oferece surpresas e desafios, independentemente do tamanho da obra. A responsabilidade é o fator principal, especialmente em intervenções urbanas, em função dos potenciais riscos à infraestrutura e à população. O engenheiro recorda o trabalho nos túneis do metrô de São Paulo como uma experiência de grande complexidade técnica.
"É uma área muito interessante e que exige muita responsabilidade, pois você trabalha com túneis no centro de uma metrópole como São Paulo, debaixo de prédios e de avenidas movimentadas", afirma.
A necessidade de gerir interferências com as fundações de edifícios e redes de serviços públicos exige atenção contínua e precisão técnica. A carreira é, também, um caminho de aprendizado e reconhecimento mútuo. Joaquim menciona a influência de profissionais como o engenheiro Jorge Takahashi, a quem considera um de seus mentores e com quem colabora em projetos recentes. A satisfação profissional, para ele, nasce da superação de obstáculos.
Esse sentimento reflete a dimensão humana que existe por trás da precisão da engenharia, em que o sucesso de um projeto não é medido apenas pela extensão da escavação, mas pela capacidade de prever, adaptar-se e resolver problemas que surgem das profundezas da terra.
A colaboração com a empresa Pedra Branca Escavações (PBEsc) em um dos projetos mais desafiadores de sua carreira ilustra sua filosofia de trabalho. A recuperação do túnel da usina de Confluência, no Paraná, é um caso emblemático. Embora a obra seja de pequena escala — com um túnel de um quilômetro de extensão e seção de 4,5 por 4,5 metros —, o desafio técnico foi imenso. O problema estava em uma característica geológica até então desconhecida no local.
"Não se conhecia essa particularidade da geologia local. O fato de a rocha ser expansiva você só descobre quando o túnel entra em operação e a água começa a chegar onde não chegava antes, no meio da rocha", detalha Joaquim.
Essa expansão da rocha, causada pela operação da usina, começou a provocar desmoronamentos na estrutura, que havia sido feita com a melhor tecnologia disponível na época. A solução exigiu uma abordagem inovadora.
"Tivemos de utilizar soluções técnicas que fogem totalmente do convencional para a recuperação do túnel", afirma o engenheiro.
Nesse contexto, ele destaca que a parceria com a Pedra Branca foi fundamental para o sucesso do trabalho.
"A Pedra Branca demonstrou ser uma empresa de altíssima qualidade, que prioriza a segurança e a técnica, e que não resiste a utilizar metodologias construtivas não convencionais. Eles acreditaram nas soluções propostas."
A usina voltou a operar com sucesso recentemente, o que confirma o resultado positivo dessa colaboração.
Sua atuação se expande para projetos globais. Desde 2023, ele integra um grupo de especialistas na Austrália, contratado como expert em obras subterrâneas para projetos de usinas hidrelétricas na Tasmânia. A atividade envolve reuniões semestrais para acompanhar o desenvolvimento de dois projetos locais. Essa função o coloca como consultor em um dos mercados mais avançados do setor.
A trajetória de Joaquim inclui um período de vinte e um anos na Intertechne, empresa de engenharia com forte presença em mais de quinze países e um portfólio que inclui a Usina de Belo Monte. Em 2006, a empresa lhe confiou a coordenação de seu primeiro projeto de metrô em São Paulo. Essa oportunidade permitiu que ele diversificasse seus conhecimentos em um ambiente urbano complexo. Ao mesmo tempo, a empresa expandiu seus projetos no exterior, e Joaquim participou de projetos no Chile, Peru, República Dominicana, Angola e Equador, consolidando sua carreira internacional.
Foi durante um período de instabilidade econômica no Brasil, por volta de 2001, que surgiu a ideia de um novo negócio. Diante de um cenário de demissões, ele e quatro colegas decidiram fundar uma nova empresa.
"Em um período que foi difícil para a própria Intertechne, criamos a empresa à qual me dedico hoje exclusivamente: a G5 Engenharia", recorda.
Fundada em 2003, a G5 Engenharia funcionou inicialmente como um projeto paralelo. A nova empresa coexistiu com sua carreira na Intertechne por mais de uma década. Joaquim dedicava suas horas livres à G5, enquanto mantinha o trabalho em tempo integral na Intertechne.
Em 2017, após duas décadas na antiga empresa, ele e os sócios decidiram que era o momento de uma dedicação total.
"Em 2017, resolvemos migrar totalmente para a nossa empresa, com o objetivo de fazê-la crescer", explica.
Desde então, a G5 Engenharia expandiu sua atuação e hoje conta com cerca de cento e trinta colaboradores. A empresa se firmou como uma companhia de médio porte, especializada em gerenciamento de obras de infraestrutura, projetos e consultoria técnica.
Para Joaquim, cada projeto é o capítulo de uma jornada profissional contínua e uma exploração constante dos limites da engenharia. Como ele mesmo conclui, é um percurso de carreira que leva "não ao fim, mas ao momento atual".
*O entrevistado optou por ser chamado pelo primeiro nome.