Cartografia do encontro ajuda líderes a alinhar mensagens e evitar falhas operacionais.
30/4/26



A comunicação afeta a produtividade e a segurança em canteiros de obras. Para explicar a teoria e a prática deste processo, a analista transacional do Instituto MIR Maku de Almeida, e o diretor técnico da Pedra Branca Escavações (PBEsc), Luiz Guilherme Isfer Maciel, detalham o funcionamento das interações humanas ao PBEsc News. Os profissionais abordam os motivos para o setor de engenharia aplicar tais técnicas e as ações corporativas voltadas ao aperfeiçoamento do diálogo entre as equipes.
A analista conceitua esse fluxo como o meio de construção dos campos interpessoais e explica suas bases biológicas. "Nós somos seres relacionais e nos comunicamos de alguma maneira", diz. Segundo ela, o resultado desse processo desperta a atenção das lideranças, pois a qualidade da troca de mensagens direciona esforços e gera efeitos positivos nas companhias.
Existem quatro dimensões comunicacionais: o pensamento; a fala, acompanhada por gestos, tom de voz e expressões corporais; a transmissão de informações em formato direto; e, por fim, o fenômeno da sintonização cognitiva, temporal e emocional com o ouvinte.
Almeida compara tal dinâmica a um rádio com emissor e receptor, no qual as partes precisam descobrir a faixa de onda correta para sintonizar. Há também um alerta sobre as reações químicas das palavras no corpo humano, o que derruba o mito de que a chefia precisa gritar. "Uma abordagem com teor agressivo aciona o sistema de estresse do interlocutor e impede que ele escute adequadamente", afirma.
Para aprimorar o contato profissional, propõe-se uma "cartografia do encontro". A tática consiste em debater a própria forma de interagir antes de transmitir ordens ou projetos. Os indivíduos mapeiam o ambiente para evitar distorções de pensamento, interpretações equivocadas e fantasias, com preservação do foco prático.
Historicamente, as organizações adotavam um padrão parental, autoritário ou com excesso de acolhimento. Essa postura trata o outro como criança, sem convidá-lo a partilhar o espaço relacional. Por meio da cartografia, o mapa do convívio sofre alterações conforme a conexão avança. O trabalhador ganha liberdade de checagem, o que reduz o risco de retrabalhos na produção. Além disso, qualquer falha de entendimento requer análise cuidadosa.
Antes visto como defeito e alvo de eliminação, hoje o ruído serve para identificar causas de problemas operacionais. "É um sintoma a ser examinado para encontrar seu fundamento", declara a entrevistada. A tentativa de anular essas interferências causa o silêncio nas equipes por medo de punição.
No contexto da empresa, Maciel relata os impactos desse intercâmbio de ideias na área de túneis. Ele rejeita a premissa de que o setor opera apenas em calculadoras. "A ponte entre os conceitos e a execução é o que realmente faz a obra acontecer", enfatiza. Embora universidades vendam a imagem do trabalho braçal como chamariz, ele defende o uso do método científico no canteiro.
O porta-voz aponta as vantagens daqueles que possuem boas habilidades de expressão. Pessoas com tais características obtêm resultados de forma rápida e segura, pois conseguem disseminar saberes aos demais membros do grupo. A barreira para esse compartilhamento é a crença de que seu próprio costume seria o único modelo correto, o que gera resistência a técnicas diferentes.
Há também a menção à desconfiança da cultura latino-americana em relação ao meio acadêmico. "No nosso meio latino, o campo teórico é mal visto, como se fosse algo inútil", comenta. No entanto, Maciel explica que a ciência serve justamente para comprovações reais. Esse embasamento permite modificar pilares, aperfeiçoar processos e analisar preços em propostas comerciais.
A compreensão do contexto do funcionário integra as táticas da companhia. Nota-se que a linguagem acadêmica causa rejeição nas obras e exige uma abordagem direta e assertiva. A supervisão pontua que não se deve demonstrar insegurança ou fraqueza.
No passado, morava-se em alojamentos, sem laços familiares. Para reverter esse cenário, na PBEsc, foram criadas acomodações destinadas aos parentes no local das operações.
Além de reestruturar a moradia, a empresa introduziu equipamentos com o objetivo de garantir horas de descanso ao efetivo. O dirigente ressalta que atuar dentro dos padrões significa entregar resultados velozes e protegidos, o que permite a sobra de tempo livre. "Hoje em dia, a automação está um passo além para aumentar a eficiência", conclui.