Diretor substituto do DNIT e ex-presidente do CBT analisa expansão das obras subterrâneas.
3/9/26



O diretor de infraestrutura ferroviária substituto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Eloi Angelo Palma Filho, defende que a engenharia subterrânea figura como vetor estratégico para o desenvolvimento socioeconômico do país. Em entrevista concedida ao PBEsc News, o executivo e ex-presidente do Comitê Brasileiro de Túneis (CBT) analisa o crescimento das obras de escavação no território nacional, os reflexos do Novo Marco do Saneamento e a necessidade de desmistificar o custo desse modelo construtivo.
Na avaliação do especialista, o adensamento urbano exige soluções subterrâneas para otimizar o transporte sobre trilhos e mitigar gargalos operacionais. A expansão metroviária nas capitais e a retomada de projetos ferroviários de passageiros exigirão traçados subterrâneos para garantir eficiência logística e ganhos sociais.
Palma Filho enfatiza que a visão do túnel como alternativa financeira proibitiva precisa ser revista sob a ótica da análise de custo-benefício. "Caro é aquilo que não gera retorno. A sociedade paga diariamente a conta da ausência de uma malha subterrânea eficiente, seja no tempo perdido no trânsito, seja nos custos logísticos", pontua.
O setor extrativo também desponta como campo promissor para a abertura de galerias profundas, impulsionado pela corrida global por minerais raros de alto valor agregado. Segundo o dirigente, a lavra subterrânea diminui o impacto ambiental na superfície, o que limita a dispersão de poeiras e ruídos típicos dos métodos tradicionais de desmonte. Esse movimento acompanha a modernização das diretrizes operacionais, com a introdução de ventilação de alta eficiência, automação e veículos elétricos nas frentes de lavra.
Para balizar essa evolução no setor público, o DNIT publicou o Manual de projeto de túneis rodoviários e ferroviários, documento inédito no país idealizado para padronizar a orçamentação, a elaboração e a recepção de projetos. O plano da autarquia estabelece um horizonte de aperfeiçoamento para os próximos cinco anos, prevendo a inclusão de capítulos sobre escavação mecanizada e sistemas de segurança operacional. Além do manual, o órgão atua na revisão da norma NBR 15661, que regulamenta a proteção contra incêndio em túneis.
A atuação do porta-voz reflete uma trajetória dedicada às obras pesadas de infraestrutura. Graduado em engenharia civil pela Unochapecó, o gestor é mestre em mecânica das rochas pelo programa de pós-graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Servidor de carreira em Brasília há quase duas décadas, o profissional soma 12 anos ininterruptos na diretoria do CBT. Na visão do gestor, a engenharia subterrânea exige uma abordagem multidisciplinar — integrando engenheiros civis, eletricistas, geólogos e juristas — para estruturar empreendimentos viáveis, seguros e sustentáveis.