Pablo Cesári, diretor-presidente do Ibram, prevê avanço da mineração subterrânea

Exposibram 2026 atrai 112 mil visitantes e destaca força do setor mineral brasileiro.

A exposição Exposibram 2026 atrai 112 mil visitantes. O número de visitantes supera o público de partidas locais de futebol. Todas as informações relativas ao evento, ao mercado e às entidades de engenharia constam de entrevista concedida pelo diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesári, ao PBEsc News.

Durante a conversa, o executivo analisa a dimensão do segmento mineral, detalha os resultados financeiros e projeta o avanço das operações sob a terra. A Pedra Branca Escavações ganha destaque na mostra ao expor seu portfólio especializado em engenharia subterrânea.

O setor registra aumento de 8,2% nas receitas no primeiro semestre. O avanço ocorre a despeito do período de chuvas e da queda no preço do minério de ferro. Segundo o dirigente, a diversificação na oferta de materiais sustenta a alta. O profissional relata a migração global dos combustíveis fósseis para a energia sustentável. A transição impulsiona a exploração de sólidos em detrimento de líquidos.

"A mineração passa a ser vista como o alicerce de praticamente todas as transformações da sociedade moderna", afirma o representante. Ele cita o impacto das matérias-primas na eletrificação, na inteligência artificial e na saúde. Na visão do gestor, nações e companhias buscam segurança nas cadeias de fornecimento. Nesse contexto, o país atrai aportes estrangeiros.

O território nacional abriga centros científicos em atividade. Cesári menciona o trabalho da Universidade Federal de Ouro Preto, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, do Centro de Tecnologia Mineral e da rede Senai. "Muitos países possuem reservas gigantescas e não geram valor. O Brasil tem uma mineração globalmente competitiva; não temos síndrome de vira-lata", declara.

O projeto Magbras ilustra o modelo colaborativo direcionado ao desenvolvimento. A iniciativa congrega 28 corporações e 15 núcleos de estudo para criar ímãs permanentes. Uma articulação similar faz falta na fabricação de baterias e nas aplicações de grafita. O porta-voz lembra a formação contínua de doutores e operários qualificados em áreas como química e metalurgia. A revitalização industrial derivada das minas surge como alternativa econômica.

A rotina diária exige capital intensivo, com ciclo alongado e risco geológico. Como a poupança interna apresenta cifras reduzidas, os recursos provêm do exterior. Para alterar o cenário, a agência planeja apresentar ao Congresso Nacional uma proposta sobre novos mecanismos internos de fomento. "Temos capacidade e somos competitivos, mas precisamos inovar o modelo de atuação", acrescenta.

As ações do Instituto abarcam a publicação de um documento inédito. O material mapeia nove matrizes produtivas para cruzar a capacidade atual com o potencial futuro. O texto avalia lacunas corporativas de itens como quartzo e cobre, além de balizar políticas estatais. O relatório analisa o impacto do custo do gás no processamento mineral.

No campo prático, a extração subterrânea corresponde a 4% da produção brasileira. A atividade na superfície predomina em virtude da abundância de jazidas rasas. O entrevistado aponta a necessidade de alteração de método, pois a busca por ferro impõe buracos profundos. "Um dos nossos focos no Ibram é justamente atuar na revisão da regulamentação do trabalho subterrâneo no Brasil, que é antiga e defasada", diz.

Formação do líder

A elaboração das diretrizes atuais conta com a experiência de um perito das humanidades. O diretor-presidente tem graduação em ciência política e relações internacionais, além de pós-doutorado em ciências sociais. A trajetória do líder engloba passagens pelo mercado de capitais e pelo Conselho de Mineração. O objetivo no ofício vigente consiste no estudo da interseção entre o Estado e os empreendimentos de concessão.

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